O poeta nasceu a bordo, no litoral do Maranhão.
Bacharel em Direito (1882) pela universidade de São Paulo, exerceu a magistratura em São João da Barra (1883), o professorado na Faculdade de Direito de Ouro Preto (1892) e a diplomacia, como secretário de legação em Lisboa.
Obras:"Sinfonias"(1883); seguiriam-se "Versos e Versões", 1883/1886 (1887), "Aleluias", 1888/1890 (1891) e "Poesias" (1898). Foi membro-fundador da Academia Brasileira de Letras.
As suas «Poesias» foram reunidas em volume na capital portuguesa (1898). Constitui com Alberto de Oliveira e Olavo Bilac a tríade dos mestres do parnasianismo brasileiro.
Céptico, tímido, introvertido e misantropo, a sua obra em verso é de tendência filosófica.
Foi um sonetista admirável e, segundo Manuel Bandeira, autor de “alguns dos versos mais misteriosamente belos da nossa língua."
As pombas
Raimundo Correia
Vai-se a primeira pomba despertada...
Vai-se outra mais... mais outra... enfim dezenas
De pombas vão-se dos pombais, apenas
Raia sanguínea e fresca a madrugada...
E à tarde, quando a rígida nortada
Sopra, aos pombais de novo elas, serenas,
Ruflando as asas, sacudindo as penas,
Voltam todas em bando e em revoada...
Também dos corações onde abotoam,
Os sonhos, um por um, céleres voam,
Como voam as pombas dos pombais;
No azul da adolescência as asas soltam,
Fogem... Mas aos pombais as pombas voltam,
E eles aos corações não voltam mais...
Referências:
MOUZINHO, Antonio Ruivo (Org.). A Circulatura do Quadrado. Porto: Unicep, 2004.
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Isadora Duncan (Angela Dora Duncan) - San Francisco, 27/05/1878 - Nice, 14/09/1927.
Isadora, a irmã e os dois irmãos foram criados pela mãe admiradora de literatura, poesia, música e artes plásticas; a partir dos 4 anos, frequentou um curso de ballet clássico.
Isadora costumava dançar ao ar livre e na praia e, já aos 11 anos, dava aulas para as outras crianças com sua técnica muito pessoal e intuitiva, tendo abolido as sapatilhas de ponta que, no seu entender, deformavam a musculatura feminina. Assim, ajudava no sustento da família que passava por sérias dificuldades financeiras. A imprensa local publicou críticas altamente favoráveis à nova técnica corporal que surgia: dança e mímica, pequenos números acompanhados da leitura de poemas.
A carreira deslancha. Em 1895, para ampliar seus horizontes, partiu com a mãe para Chicago, onde trabalhou em várias produções: Mme Pygmalion, Sonhos de uma Noite de Verão e shows de vaudeville.
Excursionando com a companhia, chegou a Londres onde começou a dançar em reuniões organizadas por damas da alta sociedade. Alguns convidados destas socialites a levaram para Paris onde, finalmente, Isadora encontrou a aceitação que tanto buscava para seu estilo. Num momento em que a arte da dança se limitava apenas a entretenimento, Isadora mostrava às platéias um novo “vocabulário” no ballet e as grandes potencialidades do movimento corporal. Mostrou sua arte a ilustres admiradores (entre eles o escultor Auguste Rodin).
Espírito livre, não acreditava em casamentos formais. Mas, ao encontrar o produtor teatral Gordon Graig viveu durante algum tempo uma relação tumultuada, de onde nasceu a menina Deidre.
Disponível em: Abalada com a sucessão de perdas afetivas que sempre se seguiam aos ganhos materiais e artísticos, Isadora tornou-se ainda mais extravagante, imprevisível e escandalosa para os parâmetros da época, ao apoiar novas tendências como o controle da natalidade e a alimentação vegetariana. Aclamada como o espírito vivo da dança e discriminada pela postura transgressora, feminista, revolucionária, inspiradora de poetas e artistas, tornou-se um ícone.