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quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

DESATIVADA A ESTANTE PÚBLICA Nº 1



"A Estante Pública n°1 teve o seu tempo.
Conviveu com o bairro elegantemente, era companheira dos trabalhadores e estudantes que esperavam seu transporte. Foi soberana a chuva e resistiu aos ventos. Mas, como toda matéria viva, sofreu as mudanças do tempo. Depois de 2 meses já apresentava sinais de desgaste."
Leia mais:
Disponível em: <http://www.estantepublica.blogspot.com/>.Acesso em: 12 fev. 2009.




Ao tirar estas fotos no dia 11 de janeiro deste ano, observei que, além dos danos causados pelo tempo, o acervo estava bem diferente do seu início, ou seja, o povo estava levando as obras literárias e deixando revistas velhas, antigos manuais, almanaques e muitos livros didáticos. Dez dias depois, a Estante foi desativada.
O projeto foi utópico e, por isso, maravilhoso...
É claro que aproveitar o tempo de espera em uma parada de ônibus lendo faz bem ao corpo (distrai, baixa o nível de stress) e à mente (desenvolve o intelecto, a sensibilidade, educa, provoca a desacomodação, dentre outros benefícios da leitura). Fiquei sabendo de projetos semelhantes em outras capitais, mas não sei detalhes dos mesmos.
Aqui em Porto Alegre temos parcerias que proporcionam praças, parques e canteiros bem cuidados e limpos. Só para citar alguns exemplos: Parcão (Supermercado Zaffari e Hospital Moinhos de Vento), Praça da Encol (Sistema de Saúde Mãe de Deus), Parque Germânia/Jardim Europa (Construtora Goldsztein)...
Não seria o caso de algum gestor cultural encampar esta ideia e, através de PPP (parceria público-privada) dar forma a um sistema que espalhasse paradas de ônibus com "Estantes Públicas" por toda a nossa cidade? A médio prazo, espraiando a ideia para o interior - em cidades com infra-estrutura já pronta (transporte coletivo implantado)?
Em vez de gastar nosso dinheiro na compra/manutenção de avião, por que não investir em divulgar a leitura lúdica, prazerosa à população intoxicada de big brothers?
Para isto, uma grande equipe deveria ser formada, com representantes de vários segmentos da sociedade: Universidades (Biblioteconomia, Administração, Comunicação e outros cursos), Escolas Técnicas, Secretarias de Estado, Câmara Rio Grandense do Livro, Sistemas Fiergs, Sesi, Sesc, Rotary, Clubes, Associações de Bairro, de Classe, empresários, voluntários...
Utopia? Certamente... Mas são os sonhos de hoje que nos mobilizam em busca da realidade de amanhã!

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

ESTANTE PÚBLICA Nº 1 - AV. NILO PEÇANHA, 106 - PORTO ALEGRE - RS


"Devir = O que há de vir. O Futuro. Movimento permanente das coisas que se desfazem, transformando-se em outras coisas.

O movimento por si identifica algo que se altera. Um corpo sai de seu posto estanque e amortecido para algo novo. Surge o inusitado e logo, da inquietação ao movimento.

Segundo a física quântica, apenas vemos aquilo que conhecemos [...]Não conseguimos enxergar muitas das coisas que nos rodeiam, estão em nosso dia-dia e apenas por não conhece-las, não as vemos. Isso pode ser compreendido metaforicamente, ou não. O fato é que não percebemos muitas coisas.

Buenas, a intervenção urbana provoca de uma certa maneira uma pequena brecha de respiro. Se entende um corpo humano como algo integrado e consciente. Você talvez não perceba a primeira vista, mas tenha certeza, seu corpo viu antes de você, e te comunica. Eis a brecha que acontece nessa fração de milésimos.

No âmago desta instalação não existe um estímulo à leitura, essa talvez seja a primeira vista o ponto desta ação urbana. Não quer cumprir um papel educador. Antes de falar de direitos e poesia e questionar onde está a poesia em nossos direitos é um agente concreto estimulante do aparelho sensitivo do nosso corpo.

A leitura, a curiosidade, o ato de escrever, tudo isso são estímulos ligados diretamente ao nosso “sentir”, à nossa sensibilidade para perceber nas nuances que a arte não é necessariamente uma obra, mas também um processo, um acontecimento, um fenômeno em movimento constante.

Pude perceber ao voltar à Estante Pública n°1 no final da tarde, que além de “pública” estar escrita sem o acento agudo, os livros não estavam no mesmo quorum. Não, ao contrário do que a gente esta acostumado a pensar, no vandalismo, no descaso aos livros. Pois bem, eles não só aumentaram de número como se pode encontrar pequenos recados entre as páginas. Isso é uma transformação, um fenômeno. A obra em si, não necessita ser a estante de livros, mas sim o que ela provoca nas pessoas, o que estimula a fazer, o que questiona. Este fenômeno vem a partir daquela brecha, daqueles milésimos de segundos. Aquele que nunca havia se deparado com aquela estante num vão urbano como muitos que existem pelas cidades, toma a iniciativa de deixar um recado para outro qualquer, esse relacionamento incógnito aproxima e faz, voltando a física quântica, que uma peça se mova, no indivíduo, na estante, no bairro, na cidade. E quando você move uma peça, você altera todo o sistema de coisas numa reação em cadeia, isso é física, isso é arte, portanto, aqueles que se sentirem à vontade, sigam e transformem a “obra” em seus próprios devires...Está em processo e nós todos estamos dentro dele..."


Leia mais sobre esta intervenção - post transcrito e crédito da foto:

Disponível em: <http://www.estantepublica.blogspot.com/>. Acesso em: 08 dez. 2008.
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LER COM A LÍNGUA